sexta-feira, 4 de maio de 2012

Não me importa de onde, mas que venha. Que me encha e me domine, que me preencha e me motive. Não me importa como, mas que venha. Que me acalme ou me inquiete, que me seduza e me conquiste para sempre. Nem quero saber se é de alguém que virá, mas por favor, que venha. Que me faça então tremer, que me tire ainda mais o sono e me dê coragem para superar meus próprios medos e defeitos. Me importa muito, contudo, saber quando. Porque a espera tem sido longa e o mundo não quer esperar, não quer saber de onde, como ou de quem vem, mas quer saber quando e quanto vem. Que venha então inspiração! Não se demore, não se acanhe! De peito aberto te espero, se apresente e se acomode, ponha em chamas meu coração de pedra.
E quando o vento sopra mais forte e gélido não há mais onde procurar abrigo. O aconchego não é mais uma opção. O que me resta é me interiorizar, mascarar a aflição e esperar até que o vento passe. Não sopra o tempo todo por aqui, mas sopra com frequencia, aliás, minha vida poderia muito bem ser caracterizada por frequentes vendavais. E se você acha que essa é uma perspectiva negativa deveria me conhecer melhor, ou sou em quem deveria me conhecer melhor? É possível, não é? Afinal hoje mesmo me peguei cometendo velhos erros, ontem mesmo me peguei preso a velhos hábitos. E hoje estou aqui novamente procurando nas letras um alento. Sabendo, por experiência própria, que não é daqui que ele vem. E se o frio é mais intenso do que cabe em mim, o corte será mais profundo do que minha epiderme pode aguentar e o sangue me trará de volta a realidade, à certeza da solidão, porque o que aflige não é a solidão, mas a esperança de que haja algo além dela.
E se a noite é linda e o aroma é limpo; se a lua brilha e o frio não me aflige; se o som preenche os vazios e o silencio não incomoda; se a solidão me é fiel e saudosa companheira; se o doce preenche toda a minha boca afastando até a ideia de amargo. Aí sim encontro paz, nesse leve e sutil momento em que não me vem à cabeça a inquietante ideia de t u r b u l e n ... Fim do sossego.
Queria sim ter uma paixão dessas pra me tirar o sono e fazer dos meus textos mais bonitos, pra me inquietar durante as aulas e me tirar a cabeça do presente. Quero todos os prazeres do amor, os desprazeres não. Quero sim o abraço apertado, o calor dos beijos, o alívio do reencontro, a saudade na despedida e a segurança do olhar conhecido. Mas longe de mim com todas as possíveis discussões, pra mais longe ainda com o ciúmes e nem venha me falar das frustrações. Não quero esperar por ninguém. Simplesmente porque não gosto de esperar e nesse caso a espera pode ser muito longa. Sigo vivendo e sonhando e dormindo acordado, caminhando e cantando, espreitando...